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02 de dezembro de 2019

Sobre voz e militância: o documentário “Indianara” é um ato de resistência

Filme foi apresentado na sexta-feira (29), no 14º Fest Aruanda

O longa-metragem “Indianara”(RJ, 2019), dos diretores Aude Chevalier-Beaumel e Marcelo Barbosa, é o primeiro da Mostra Competitiva de Longas-Metragens a ser exibido no 14º Fest Aruanda do Audiovisual Brasileiro. O filme será apresentado na Sala 2 do Cinépolis Manaíra Shopping, às 21h desta sexta-feira (29), com entrada franca. O Fest Aruanda é um evento patrocinado pela Energisa Cultural, Cagepa e Armazém Paraíba, com o apoio institucional da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

Em “Indianara”, os diretores narram a trajetória da ativista transexual Indianara Siqueira, uma das idealizadoras da Casa Nem, abrigo para pessoas LGBTIs em situação de vulnerabilidade, no Rio de Janeiro. Eles filmaram o cotidiano de Indianara por dois anos, desde 2016, em cenas do seu dia a dia – na Casa Nem, nas ruas, em protestos contra o governo do ex-presidente Michel Temer, durante a campanha nas eleições do ano passado e, ainda, na sua intimidade.

Há três décadas, a ativista de 48 anos atua em defesa dos direitos de transexuais, mulheres, prostitutas e do acesso à saúde e à educação. O Brasil é o país que registra o maior número de mortes de pessoas trans no mundo, segundo a organização não governamental Transgender Europe (TGEU), com sede na Alemanha. Uma a cada dois dias, pessoas são mortas com uso de arma de fogo. Indianara roda o país em palestras alertando sobre essas estatísticas.

As câmeras de Aude e Marcelo entraram na casa dela para falar de outro assunto urgente no Brasil: o HIV/Aids, doença que tem crescido entre os jovens no país. Indianara é casada com uma pessoa soropositiva e fala dessa experiência com franqueza. O filme também traz cenas de luto. Em meio às gravações, a ativista é surpreendida pelo assassinato da vereadora Marielle Franco. Por segurança, com ajuda de Organizações Não Governamentais internacionais que protegem defensores de direitos humanos, ela é convencida a instalar câmeras de vigilância pela casa.

A diretora Aude Chevalier-Beaum afirma que Indianara e sua luta se confundem. “Íamos fazer apenas um retrato de Indianara, mas ela não separa a vida política e pública da vida pessoal, íntima. Tudo o que acontecia no Brasil, acontecia também dentro dela, profundamente. É impossível separá-los”, disse, em entrevista à Rádio França Internacional (RFI).

Debates – A programação da sexta teve início com a série Diálogos Audiovisuais Aruanda/Energisa, às 9h, em um debate com o diretor Diego Freitas e o ator Guilherme Rodio, do curta-metragem de abertura “A Volta Para Casa” (SP), com o ator Lima Duarte. Logo depois, o Diálogos II promoveu um debate com os homenageados José Bezerra, Marcus Vilar e Ingrid Trigueiro. Os dois diálogos foram moderados por Amilton Pinheiro, curador e diretor artístico do Fest Aruanda.

Ao meio-dia, aconteceu o primeiro painel Aruanda/Cagepa: “A emergência das políticas de preservação e a criação da Cinemateca Paraibana Linduarte Noronha nos 100 anos do cinema paraibano”, com José Maria Pereira Lopes (TV Cultura-SP) e Marília Franco (ECA-USP), moderados por Lúcio Vilar, coordenador e produtor-executivo do Fest Aruanda. “A Cinemateca foi anunciada pela reitora da UFPB, Margareth Diniz, na abertura, e nos pegou de surpresa. Uma grata surpresa”, disse Lúcio. Ele será o responsável pela cinemateca, e contará com o apoio de José Maria e Marília, que se comprometeram a ajudar no que for necessário. “O papel principal de uma cinemateca é a difusão, e não somente o arquivo”, disse Marília Franco.

À tarde, José Maria Pereira Lopes deu início à oficina “Preservação de acervos audiovisuais e a importância da tecnologia na era digital”, que se encerra no dia 3. “Uma oficina muito prática. E necessária. A preservação de material audiovisual é a preservação da nossa história”, disse José Maria.

Mostras – As entradas para as mostras e sessões especiais do 14º Fest Aruanda do Audiovisual Brasileiro são gratuitas, e devem ser retiradas com a organização do festival uma hora antes das exibições, no hall do Cinépolis Manaíra Shopping.

Serviço

14° Fest Aruanda do Audiovisual Brasileiro

Mostra Competitiva de Longas-Metragens

Dia 29/11: “Indianara” (DOC, 2019, 1h24, RJ), de Aude Chevalier-Beaumel e Marcelo Barbosa.

Hora: 21h

Lugar: Cinépolis Manaíra Shopping, Sala 2